Vivemos na era da informação, ou assim gostaríamos de acreditar. Com o acesso generalizado à Internet e o saber aparentemente ao alcance de um clique, era expectável que a sociedade se tornasse mais esclarecida, mais crítica e, em suma, melhor informada. No entanto, a realidade tem-se revelado bem diferente. Aquilo que poderia ter sido uma revolução no acesso ao conhecimento tornou-se, muitas vezes, um canal privilegiado para a disseminação de desinformação, pseudociência e teorias da conspiração. Estas últimas prosperam precisamente por serem simples, emocionalmente apelativas e, uma vez interiorizadas, notoriamente difíceis de desmontar.
É neste contexto que David Marçal surge como uma das vozes mais relevantes no combate à desinformação em Portugal. A solo ou em coautoria com Carlos Fiolhais, tem construído uma obra notável no domínio da divulgação científica. Mas o trabalho de Marçal vai além da simples explicação de conceitos científicos complexos em linguagem acessível. A sua missão é também a de desmascarar ideias erradas, desmontar falácias e combater a ignorância travestida de opinião.
O título provocador deste livro, Como perder amigos rapidamente, é por si só uma chamada de atenção. E torna-se ainda mais eloquente quando se lê o subtítulo em letras pequenas: “E aborrecer as pessoas com factos e ciência.” O tom irónico é claro, mas o propósito é sério. Esta obra representa uma continuação natural do percurso do autor, com um certo endurecimento no tom e na escolha dos temas, que são por vezes abertamente polémicos.
