Num mundo cada vez mais dependente da tecnologia, onde a inteligência artificial se insinua em cada canto e a crise ambiental se agrava a olhos vistos, O Futuro de Naomi Alderman oferece-nos uma ficção científica inquietantemente próxima da realidade. Não, não se trata de um documentário, mas a imagem da nossa sociedade refletica num espelho distorcido. Alderman pinta um cenário que parece decalcado do nosso tempo: um retrato especulativo, mas estranhamente plausível.
Nesta narrativa, o poder global está concentrado nas mãos de três gigantes tecnológicos, cada um liderado por um magnata visionário e implacável. Perante a iminência de um colapso civilizacional, estes oligarcas preparam-se para sobreviver ao apocalipse que eles próprios ajudaram, em certa medida, a precipitar. É neste contexto que se entrelaçam os caminhos de Martha Einkorn, a filha dissidente de um líder de culto, que acaba por se tornar braço direito de um desses magnatas, e de Lai Zhen, uma especialista em sobrevivência, perseguida e desconfiada por natureza.
